Laura Bervian 3 min leitura

5 Mitos sobre a Vitamina B12 que Você Precisa Parar de Acreditar

5 Mitos sobre a Vitamina B12 que Você Precisa Parar de Acreditar

A vitamina B12 é cercada de informações equivocadas que circulam nas redes sociais e até em consultórios. Esses mitos podem levar a escolhas erradas — e a consequências sérias para a saúde. Veja os mais comuns:


Mito 1: “Quem come carne não precisa se preocupar com B12”

Falso. Estudos mostram que 40% da população onívora apresenta níveis inadequados de vitamina B12. Isso acontece porque a absorção depende de fatores além da ingestão — como a integridade do estômago, a presença do fator intrínseco e o uso de medicamentos como prazóis e metformina.


Mito 2: “A carne é a fonte natural de B12 — suplemento é artificial”

Parcialmente falso. A maioria dos animais de corte recebe suplementação de cobalto ou da própria vitamina B12 em suas rações. Isso acontece porque o solo brasileiro é pobre nesses minerais e os animais confinados não têm acesso às bactérias do solo que produzem B12 naturalmente.

Ou seja: ao comer carne, você recebe B12 de forma indireta — via suplementação animal. Optar pelo suplemento direto é apenas uma forma mais controlada do mesmo processo.


Mito 3: “Algas e cogumelos são boas fontes de B12 para veganos”

Falso — e potencialmente perigoso. Algas como Nori, Spirulina e Chlorella, assim como cogumelos, contêm corrinoides — análogos inativos da B12, também chamados de “pseudo-B12”.

Essas substâncias podem elevar os níveis nos exames de sangue, simulando valores normais. No entanto, não possuem atividade biológica no organismo humano e podem competir com a B12 verdadeira, prejudicando sua absorção. Não utilize esses alimentos como fonte de B12.


Mito 4: “O fígado armazena B12 por 5 anos — não preciso me preocupar tão cedo”

Exagerado. Embora o fígado armazene B12, esse estoque depende de reposição contínua. Na presença de má absorção (por uso de prazóis, gastrite atrófica ou cirurgia gástrica), o estoque pode se esgotar em 6 a 12 meses — muito menos do que os “5 anos” frequentemente citados.

Não espere anos para monitorar seus níveis, especialmente se você usa medicamentos que interferem na absorção.


Mito 5: “Se meu hemograma está normal, minha B12 está boa”

Falso. A anemia megaloblástica — o sinal clássico de deficiência de B12 — é uma manifestação tardia. Os danos neurológicos (formigamentos, perda de memória, desequilíbrio) ocorrem muito antes de qualquer alteração no hemograma.

Além disso, o valor de referência laboratorial padrão (> 200 pg/mL) foi estabelecido para evitar anemia grave — não para garantir saúde neurológica. O nível funcional ideal é de 600 a 900 pg/mL.


Conclusão

Informação de qualidade é o primeiro passo para cuidar bem da sua saúde. Se você se identificou com algum desses mitos, vale a pena fazer uma avaliação completa dos seus níveis.

Leia também: Guia Básico da Deficiência de Vitamina B12

Sente que você poderia ter níveis insuficientes de B12? Vamos investigar as causas e ajustar sua estratégia de forma humana e técnica. Agende sua consulta.


Dra. Laura Bervian Médica CRM-SC 30368


Referências:

  1. Slywitch, Eric. Guia de Nutrição Vegana para Adultos da União Vegetariana Internacional (IVU). Departamento de Medicina e Nutrição. 1a edição, IVU, 2022.
  2. Stabler, S.P., Vitamin B12 deficiency. N Engl J Med, 2013. 368(21): p. 2041-2.
  3. Herrmann, W. and R. Obeid, Homocysteine: a biomarker in neurodegenerative diseases. Clin Chem Lab Med, 2011, 49(3): p. 435-41.
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